História CSPS

No início da década de sessenta, depois de restituída à paróquia a velha residência dos párocos e com a resolução do problema escolar, construída a nova escola primária, ficou livre o edifício degradado da antiga residência paroquial, adjacente ao terreiro, onde existira a anterior igreja. – Que fazer?

A velha Casa da Quinta (dos Passais), do séc. XVIII, herdeira do assento dos antigos patronos da igreja fora restaurada. A antiga residência, onde funcionava uma «mestra» de crianças, contígua ao velho solar, de pouco prestava para a paróquia, agora que surgira uma nova corrente de opinião para que todas as paróquias tivessem um Centro Paroquial.

O pároco de então, que conhecia as muitas provas de benfeitoria feitas pelo casal Dr. Correia de Sá e D. Maria da Conceição Teles, entrou em negociações com eles e chegou a este acordo imensamente benéfico para a paróquia: a residência foi avaliada por dois louvados (28 contos). Compraram e pagaram. O seu valor entrou na conta da Fábrica da Igreja. Mas, além disso, cederam, gratuitamente, o terreno junto à igreja, para se construir o sonhado Centro Paroquial. E, finalmente, na fidelidade à sua condição de benfeitores ofereceram cem mil escudos – uma fortuna para a época. Insignes benfeitores!

Em 1963, o arq.  Aristeu Rabásio Gonçalves (S. Martinho da Gândara) riscou e ofereceu o projecto, começando-se o edifício, depois chamado «a nossa casa».

Obra demorada, porque faltava o dinheiro e não se sabia para que era preciso tão grande casa. Depois de um grande interregno, Fernando da Cruz Novais, proprietário da «Quinta do Canedo», envergonhado com o estado do edifício sem reboco, chamou o actual pároco e perguntou-lhe: – quanto é necessário para dar ao edifício «cara de gente»?

Deu cem mil escudos. Também um benemérito gesto, mas que não chegou para acabar. Contudo facilitou que já se utilizasse e rentabilizasse o edifício. Isto aconteceu sobretudo com o teatro e o pequeno BAR. – Que bons momentos de teatro!

A equipa dinamizadora pensou mais: agora estava a surgir um movimento de tomar conta e valorizar as crianças, cada vez mais abandonadas com o trabalho fabril das suas mães.

Tínhamos casa. Custara-nos setecentos contos. Porque não tentar criar um Centro Social?

Ano de 1966. Fomos ver outras instituições. Batemos à porta de possíveis colaboradores, mas difícil, para uma pequena freguesia, com tão pouca população e tão poucos recursos.

Ajudou-nos a Escola de Educadoras P. Frassinetti do Porto. Criou em «a nossa casa» um Centro de Estágio para as suas alunas finalistas. A Arminda, foi a primeira Educadora.

– Que bom trabalho!

Foram muitas as pessoas que deram o seu precioso contributo para esta obra nascer e crescer. Oficialmente, não encontrávamos porta aberta para a aprovação dos seus Estatutos. Decorreu o tempo. Os pais das crianças do Jardim de Infância colaboraram…

Chegou o 25 de Abril.

Os requerentes de Sanfins, com os Estatutos na mão, foram a Lisboa apresentar o seu pedido na Direcção Geral de Assistência. Logo lhes foi dito: os Estatutos vão ser já aprovados. E foram. Assim o refere o Diário do Governo de 11 de Julho de 1975. Sanfins ficou com um equipamento social, como os do I.O.S. da Feira e de Lamas.

Necessitava-se de mais espaço. Mais uma vez nos dirigimos ao casal Correia de Sá, que nos cedeu pelo custo dos muros, o terreno para recreio e anexo das ATL.s.

Com o andar dos anos, o espaço da velha casa começou a ser exíguo, até ser muito exíguo, com a criação da Creche, das ATL.s da e das refeições. Tempo angustiante, até à decisão de pedirmos o alargamento e remodelação das antigas instalações, com projecto do GT da Câmara Municipal, no ano de 1996. A obra foi considerada no PIDDAC/97 com uma dotação de sessenta mil contos, correspondentes a 70% dos custos. O restante a cargo da Instituição. Deste modo ela atingiu a sua forma e as suas funções da actualidade. Nunca foi inaugurada, porque o regime de austeridade, entretanto surgido não permitiu um Acordo de Cooperação, que, como estava previsto, aumentasse a dotação para a capacidade das suas instalações. Está incompleta; e nós permanecemos nesta angústia de termos de recusar o acolhimento às muitas crianças, cujas famílias procuram o seu serviço. Não temos sido compreendidos no nosso pedido, mas ainda não perdemos a esperança.

Em cúmulo de actividades, procurámos recentemente restaurar o velho salão paroquial para hoje o apresentar como um Auditório, que nos honre e nos preste.

11 junho 2004 – Pe. José Alves de Pinho

 

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